terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Por qual motivo a Alegoria da Caverna é importante?

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Por qual motivo o Mito da Caverna (Alegoria da Caverna), é importante?


        Contado por Platão, sobre os diálogos de Sócrates, este mito relata uma caverna subterrânea, na qual homens viviam como prisioneiros, desde sempre. Essa caverna possuía uma parede na qual os prisioneiros foram acorrentados pelos braços, de modo a verem somente o que se passa na parede paralela. Atrás dos prisioneiros, existe uma chama acesa por qual as pessoas passam, gesticulam e movimentam objetos, de modo a projetarem suas sombras na parede que os prisioneiros conseguem ver. Também falam e gritam, criando ecos que os prisioneiros podem ouvir. Sombras e ecos são projeções distorcidas das imagens e dos sons reais. Por viverem toda a sua vida ali, acorrentados, tudo que os prisioneiros sabem do mundo, é o que eles vivenciaram. Um dia, um prisioneiro conseguiu se libertar das correntes, e saindo da caverna, teve um primeiro contato com a luz solar que ofuscou a sua visão e gerou um grande incômodo. Porém, após acostumar-se com a luz, ele pôde observar toda a natureza e todo o vasto mundo que havia fora da caverna, muito maior do que ele julgava existir quando ele ainda era um prisioneiro. Em um primeiro impulso, o prisioneiro liberto retornaria à caverna, para libertar os seus companheiros. Mas, se imaginarmos as possibilidades, ele poderia até ser morto por seus colegas, que o julgariam como louco.

        O propósito de Platão, é mostrar como nós humanos, nos apegamos aos sentidos físicos. Ou seja, as sensações físicas do paladar,  olfato, tato, audição e até a visão. E segundo ele, tudo isto seria ilusório...

        Isto pois, para Platão, existiria o Mundo Inteligível que seria de onde nasce nossa essência, o Mundo das Ideias, onde nossas almas residiriam. E, existiria ainda, o Mundo Sensível, que é o mundo físico, mutável e ilusório... Entender a visão de Platão, pode ser um pouco complicado, uma vez que o mesmo defendia que os conjuntos de crenças, de dogmas e afins, seriam ilusórios e pertencentes ao Mundo dos Sentidos.. Você pode se questionar: se crenças são baseadas em idéias, qual o problema?

        Para o filósofo, o único elemento verdadeiro, seria a racionalidade. Logo, uma ideia ou pensamento, teria que ser tão racional quanto a própria matemática. Todo e qualquer pensamento ou ideia que não fosse 100% racional, seria empírica. Logo, pertencente ao mundo dos Sentidos... É importante lembrar que, Platão estava criticando a política de Atenas. Ele falava sobre a forma da política da época ser conduzida. Mas, não se fala em política sem se falar em outros elementos da sociedade. E, é por este motivo que o Mito da Caverna é explorado em diversas áreas como um referencial para diversos cenários.

        Trazendo para uma perspectiva social mais ampla, o Mito da Caverna, seria nossa ignorância perante ao que não nos é visível e, o comodismo com o mundo como o conhecemos. Como assim? Bem, se você crescesse na Alemanha nazista, escutando os longuíssimos discursos de Hitler sobre os judeus serem inferiores e em como a Alemanha precisava se vingar da Tríplice Entente e, junto, recuperar a moral alemã, você facilmente, se veria bastante hostil aos judeus e pouco afável aos vizinhos europeus.. Sentiria que sua missão de vida, seria ser um bom cidadão e ajudar a restaurar a glória de seu país desmoralizado. Em suma, você se veria como vítima e Hitler, como o Salvador. Como no mito das cavernas, você não conseguiria enxergar além das formas atrás das paredes, não enxergando fora do contexto interno alemão...

        Vindo mais para a atualidade, o mundo do imediatismo, do desaprender o hábito de ler (e nem se fala em pensar) e, o recente surto de relativizar ou negar a existência de tudo, seriam por si próprios, as sombras nas paredes da Caverna. Seu corpo é a Caverna. E, suas amarras mentais e seus devaneios sobre tudo ser uma matrix ilusória, entre outros, são as sombras atrás das paredes da Caverna.  

         Na magia, tudo isto importa. Pois o magista sério não fica brincando de ser Deus pois nem o interessa a possível existência de um Deus. Mas, há magistas não-sérios (muitos, inclusive) que ficam brincando de deídade suprema por aí.. Porém, como dito, se você é um(a) magista sério(a), vai buscar a evolução de si mesmo(a) a caminho da sua verdadeira essência. E isto, por si só, é sair de muitas cavernas, tanto as vistas como as não-vistas!

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